Denúncia apresentada por Manoel Medeiros no início de junho foi analisada pela equipe técnica do TCE, que concluiu pela procedência das alegações, mas relator negou a cautelar. Há indícios de superfaturamento e descompasso entre o quantitativo de SUVs e o número de deputados
Recife, 27/09/2026
A equipe técnica do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) confirmou as principais irregularidades apontadas pelo jornalista, economista e candidato a deputado estadual Manoel Medeiros no aluguel de SUVs de luxo pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). O parecer foi assinado em 29 de junho por auditores concursados da Casa. Os técnicos consideraram procedentes três pontos da denúncia: os indícios de superfaturamento, a explosão dos gastos e a duplicidade de benefícios. O descompasso entre a frota e o número de deputados foi considerado procedente em parte.

Os auditores recomendaram suspender os aditivos que acrescentaram 14 veículos, mas o relator, conselheiro Marcos Loreto, negou a cautelar no último dia 17. O relator inicial do caso era o conselheiro Rodrigo Novaes, ex-deputado do PSB, que se declarou impedido por razão de foro íntimo. Loreto é do grupo ligado à família Campos Arraes, aliada da atual gestão que comanda a Alepe, a exemplo do presidente Álvaro Porto (MDB) e do vice-presidente Rodrigo Farias (PSB).
A Alepe paga entre R$ 17.236,11 e R$ 17.529,10 por mês por cada SUV alugado a três das quatro locadoras contratadas: BCC, Guararapes e Avenida. O Ministério Público de Pernambuco paga R$ 12.150,00 por um veículo similar, e a Casa Militar do Estado paga R$ 11.096,67. Ou seja, a Alepe paga até 44% a mais que o MPPE e 58% a mais que a Casa Militar.
Até 25 de junho, os pagamentos às locadoras já somavam R$ 7,35 milhões. Em todo o ano de 2022, antes da gestão de Álvaro Porto (MDB), foram R$ 4,137 milhões. Pela projeção do TCE, a despesa deste ano será cerca de 3,5 vezes maior, enquanto a inflação do período foi de 21%. Os auditores confirmaram ainda que os deputados podem alugar outros carros pela Cota Parlamentar, com gastos entre R$ 14 mil e R$ 20 mil mensais por gabinete. Com isso, a média de dois SUVs por gabinete pode chegar a três ou mais.
Para a equipe técnica, suspender os aditivos não traria prejuízo à Casa, porque os contratos originais já garantem frota suficiente. Loreto, no entanto, entendeu que a diferença de preço exige apuração mais aprofundada e que a paralisação poderia afetar a logística do Legislativo. As suspeitas de veículos fantasmas e de conluio entre as locadoras não foram verificadas nesta fase. Mesmo assim, o TCE confirmou que a ex-dona da Autoscar passou a ser sócia da Avenida Serviços.
O caso segue na Auditoria Especial TC nº 26101114-5, aberta em agosto a pedido do Ministério Público de Contas. A auditoria vai examinar a economicidade dos preços, o tamanho da frota e o controle da Cota Parlamentar. Segundo o TCE, a Alepe mantém hoje sete contratos que somam 107 SUVs, ao custo de R$ 1,7 milhão por mês, mais de dois carros de luxo para cada um dos 49 deputados. Os aditivos foram assinados por Álvaro Porto e pelo primeiro-secretário, Francismar Pontes (PSB), às vésperas do período eleitoral.