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Na segurança, João Campos entrega Recife com menor contingente de guardas dos últimos nove anos e corte de R$ 17,5 milhões na manutenção da iluminação pública

Recife, 29/03/2026, 19h18

Diferente do seu discurso de pré-candidato, que enfatizou a necessidade de reforço das ações de segurança, prefeito João Campos deixa administração com menor número de guardas municipais desde 2018 e redução nas despesas com manutenção da iluminação pública

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), deixa como legado na área de segurança pública municipal o menor número de guardas municipais à disposição dos cidadãos recifenses desde 2018: existem 1.628 guardas na ativa segundo informação da própria gestão municipal por meio de resposta à Lei de Acesso à Informação (LAI) referente ao mês de janeiro de 2026. Na prática, é raro se encontrar um guarda municipal nas ruas. A categoria tem remunerações defasadas e pouca valorização. Houve o anúncio de um concurso para 400 novos guardas, que se acontecer só será no segundo semestre.

Durante a gestão do representante da família Campos Arraes, de 2021 a 2026, o Recife teve um decréscimo de 306 guardas. A capital é a única do País que não tem parte do seu efetivo armado e a promessa de que em março um grupo específico de 250 guardas estaria nas ruas armado ainda não foi cumprida. Embora a responsabilidade principal do enfrentamento à violência seja do governo federal e do governo federal, a participação dos municípios, sobretudo nas questões de prevenção, tem sido cada vez mais importante.

Outro ponto de responsabilidade da gestão municipal nesse sentido, a manutenção do sistema de iluminação pública, teve uma redução de R$ 17,5 milhões em 2025: enquanto no exercício passado a despesa com a ação foi de R$ 73,2 milhões, em 2024 havia sido de R$ 90,7 milhões. Os dados são do Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco. Houve avanços na instalação de iluminação pedonal, destinada aos pedestres, principalmente na área central da cidade, mas há relatos de que muitos dos postes instalados já estão com defeitos na Cruz Cabugá e entorno, por exemplo.

Gestão João Campos foi marcada por pouca atenção à questão da segurança pública Foto: Edson Holanda/Prefeitura do Recife

Mesmo diante da crise provocada pela gestão do seu partido na segurança pública, João Campos afirmou no lançamento de sua pré-candidatura, no último dia 20, que “esse time vai dar solução”: “é inadmissível ver o crime organizado entrar no nosso estado, facções dominarem território, nós vamos enfrentar a violência com coragem, com força, fortalecendo a polícia”, disse.

A redução do contingente do pessoal efetivo no âmbito da segurança pública no Recife está em sintonia com o legado da gestão do PSB à frente da administração de Pernambuco: após 16 anos no poder, o partido entregou o estado com o menor efetivo de policiais militares dos últimos 25 anos. João Campos foi chefe de gabinete do ex-governador Paulo Câmara, governo marcado por um aumento dos números de violência – homicídios, roubos e furtos – que começou a ser revertido a partir de 2024. O governo do PSB também foi marcado pela criação das faixas salarias na corporação militar, criando ruídos na carreira, e por um dos mais baixos soldos pagos aos soldados em início de carreira de todo o País.

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A redução no número de guardas municipais na gestão João Campos também entra em contradição com a estrutura administrativa criada pelo prefeito para a área de segurança pública, com a criação de uma nova secretaria em 2025 (Cidadania e Cultura de Paz), que tem servido mais como espaço de atuação política de um aliado (o filho do prefeito de Vitória de Santo Antão) do que uma pasta efetivamente estratégica para ações de prevenção.

O prefeito do Recife deixa o cargo na próxima quinta-feira (2) com uma estrutura administrativa que conta com duas secretarias voltadas para a área de segurança pública: a Secretaria de Ordem Pública e Segurança, chefiada por Alexandre Rebêlo, nome técnico ligado ao PSB, na qual está vinculada a Guarda Municipal, e a Secretaria de Cidadania e Cultura da Paz, entregue ao MDB e chefiada por Túlio Arruda, herdeiro político do prefeito de Vitória de Santo Antão, Paulo Roberto Arruda, e irmão da deputada federal Iza Arruda. Ele é pré-candidato a deputado estadual.

Em 2025, a estrutura teve orçamento executado de R$ 15,7 milhões. Desse montante, R$ 7,14 milhões foram gastos com locação de mão de obra (terceirizados) e R$ 5,7 milhões com pagamento de salário de servidores, quase todos comissionados.

 

 

 

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Manoel Medeiros

Jornalista e economista recifense, com trajetória na comunicação e gestão pública.

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