Defesa do presidente da Câmara sempre insistiu que ele não é dono das terras enquanto informações de de pessoas próximas ao vereador apontam que hectares desmatados pertenceriam a outro “Romero”, também ligado à política local
Responsável pelo arquivamento da CPI do Fura-Fila na Câmara do Recife, decidida em poucas horas, o presidente da Casa, vereador Romerinho Jatobá (PSB), já conseguiu na Justiça, no ano passado, a anulação de outros processos que determinavam pesadas sanções, dessa vez contra ele próprio. O caso das infrações ambientais em terras da Floresta Amazônica no Pará criação de gado supostamente pertencente a ele foi revelado por reportagem do Intercept Brasil em outubro de 2024 e, ainda que determinadas as anulações, nunca se solucionou.

No TRF-1, a ação vitoriosa de Romerinho (trânsito em julgado é de 18 de novembro de 2025) anulando as sete infrações de R$ 17,5 milhões foi apresentada pelo mesmo advogado do PSB Nacional, Rafael de Alencar Araripe Carneiro, que também peticionou para o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes no sentido de trancar as investigações da Operação Barriga de Aluguel, do MPPE, além de vários outros processos de interesse do prefeito João Campos, como o trancamento de ação de improbidade administrativa contra o espólio do ex-governador Eduardo Campos.

Multado a partir de sete autos de infração do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por desmatamento de 404 hectares para uma Área de Proteção Ambiental (Floresta Amazônica) no município de São Félix do Xingu, no Pará, o presidente da Câmara do Recife obteve no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em julho de 2025, decisão monocrática do desembargador federal Flávio Jardim anulando as multas.
Leia aqui a matéria da The Intercept

Romerinho sempre se defendeu afirmando que não era o dono das terras enquanto o Ibama insistia que as terras eram de propriedade dele. Nas alegações de defesa, o advogado de Romerinho afirmou que faltariam provas concretas.
O Ibama pediu que a Justiça Federal mantivesse as multas, mas o desembargador negou. Uma das alegações do Instituto foi que a decisão que derrubou os autos de infração não foi colegiada e que haveria irregularidades processuais.

Segundo informações de bastidores, pessoas ligadas a Romerinho Jatobá garantiriam que as centenas de hectares para criação de bovinos de corte na Reserva do Xingu pertenceriam a outro cidadão com o mesmo nome de Romero, também ligado à cúpula do poder em Pernambuco, mas que o fato poderia causar mais pressão política. Até o momento, embora sejam fatos o crime ambiental, a criação de bois e a utilização de veículos com placas ligadas a empresas recifenses de fornecimento de alimentação escolar (merenda), ninguém foi responsabilizado.
Romerinho Jatobá é filho de Romerito Jatobá, dono da empresa RM Terceirização e Gestão de Recursos Humanos Ltda., que recebeu em 2025 do poder público em Pernambuco (municípios, estado, poder judiciário e outros) o montante de R$ 478,3 milhões pela prestação de serviços, segundo registros do Tome Conta/TCE-PE.