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Com menor efetivo de guardas municipais e sem plano de segurança, Prefeitura do Recife fecha praça no Derby para evitar uso por população de rua

Decisão da gestão do PSB no Recife reforça falência do sistema de segurança municipal, que inclui falta de guardas municipais e ausência de estratégias para garantir espaços públicos para todos

Recife, 18/04/2026, 12h

Numa estratégia que lembra a de tapar o sol com a peneira, a gestão do PSB no Recife decidiu fechar – sem prazo para reabertura – uma praça na área central da cidade, em pleno bairro do Derby, área central da capital, para evitar que pessoas em situação de rua usassem o espaço público.

Essa é a situação da Praça Jenner de Souza, que está completamente cercada por tapumes metálicos desde a sexta-feira de Carnaval, 13 de fevereiro, ainda na gestão do ex-prefeito João Campos (PSB).

Praça foi fechada ao público sem prazo de reabertura

Segundo a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), responsável pela zeladoria do município, “o fechamento da Praça Jenner de Souza foi realizado como medida preventiva, em razão da ocupação recorrente do espaço por pessoas em situação de rua, que passaram a utilizar o local para pernoite, o que vinha gerando preocupações relacionadas à segurança, conservação e uso adequado do equipamento público pela população. Dessa forma, optou-se pela instalação de tapumes e pelo fechamento temporário de 100% da área, como forma de preservar o espaço público até que sejam iniciadas as intervenções previstas”.

A medida pode maquiar a situação de forma imediata, mas demonstra a deficiência, ou até mesmo falência, da estratégia de segurança da Prefeitura do Recife, que usa expedientes extremos, como o impedimento do uso público de uma área, em vez de atuação conjunta da guarda municipal na proteção de praças e parques, da atuação do sistema de videomonitoramento, reforço na iluminação pública e, principalmente, atendimento/acolhimento social dessa população. Outro ponto levantado é a deficiência relacionada à política de habitação do município.

A principal missão da Guarda Municipal é garantir a preservação de espaços e equipamentos públicos do patrimônio municipal, como a Praça. Atualmente, existem apenas 1,6 mil guardas municipais em atividade, com parte deles ocupados na atuação de organização e disciplinamento do trânsito (via CTTU).

De acordo com documento da própria Prefeitura obtido pelo Blog, não há prazo para sua reabertura, que dependerá da conclusão de um projeto de requalificação, da sua licitação e da realização do serviço. Ou seja, embora se diga aos moradores que a praça foi fechada para ser requalificada, ainda não há nem projeto nem licitação para tal e o fechamento foi de fato motivado para evitar que cidadãos a usassem.

De acordo com a Emlurb, ação foi realizada como “medida preventiva em razão da ocupação recorrente do espaço por pessoas em situação de rua”

A inutilização de um espaço público em meio a um bairro privilegiado da capital pernambucana chama atenção para a falência do sistema de proteção patrimonial e de segurança de patrimônio público, responsabilidade da própria Prefeitura. A gestão do ex-prefeito João Campos (PSB) deixou Recife com o menor contingente de guardas municipais dos últimos nove anos, não realizou concurso, não valorizou os servidores efetivos da Guarda e também negligenciou outras questões relacionadas à prevenção do sistema de segurança pública, como a iluminação, que teve uma redução de orçamento executado de R$ 17,5 milhões em 2025 comparando com 2024.

Praça fica em área nobre da cidade, vizinha ao Quartel do Derby

 

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Manoel Medeiros

Jornalista e economista recifense, com trajetória na comunicação e gestão pública.

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