Cinco aditivos e um novo contrato elevaram valor da obra de R$ 101 milhões para R$ 209 milhões; equipamento foi inaugurado sem estar pronto: segundo contrato, de obras complementares, ainda estão em execução
Recife, 17/04/2026, 12h10
O Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE) instaurou inquérito civil para apurar possível improbidade administrativa na contratação e execução da obra do Hospital da Criança do Recife. A portaria de instauração foi publicada no Diário Oficial do Ministério Público na última quinta-feira (16) e é assinada pelo promotor da 44ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital (Patrimônio Público), Epaminondas Ribeiro Tavares. De acordo com a matéria, as investigações foram solicitadas por um vereador do Recife, mas o nome do representante não é citado no texto.
Inaugurado de forma incompleta no dia dois desse mês como último ato da gestão do ex-prefeito João Campos (PSB), que renunciou ao cargo, o Hospital da Criança foi contratado à Construtora Celi, de Sergipe, por R$ 101 milhões, mas cinco aditivos e um outro contrato licitado posteriormente, também vencido pela Celi, elevaram os custos para cerca de R$ 210 milhões.
A complementação via novo contrato, decorrente de nova licitação, foi necessária porque nem mesmos os aditivos, que têm um limite de 25% do valor total da obra, contemplariam a necessidades dos serviços complementares, fato que chama atenção para os equívocos no planejamento da obra.

Uma das determinações do promotor é o envio do processo para a equipe técnica de engenharia civil da Gerência Executiva Ministerial de Apoio Técnico (GEMAT) do próprio MPPE para elaboração de parecer técnico. Parte dos recursos da obra foram repassados pelo Ministério da Saúde, fato que também pode ensejar abertura de investigações em órgãos de fiscalização federais.
Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), ainda não julgada, apontou superfaturamento de R$ 3,0 milhões em medições do gerenciamento da obra e na execução da fundação, desconsiderando ainda o novo contrato de R$ 54 milhões iniciado após a conclusão da auditoria. Na Corte de contas, a relatoria é do conselheiro Dirceu Rodolfo.
De acordo com a portaria do MPPE, “a instrução preliminar traz demonstrações de que o contrato sofreu sucessivos aditamentos (de prazo e valor) que elevaram seu custo global, com demanda de análise quanto à eficiência do planejamento, a economicidade da obra e a legalidade dos pagamentos”. Ainda segundo a matéria, foram apensados aos autos cópias integrais do procedimento de medida cautelar 24101366-5 da auditoria especial nº 25100335-8 do TCE-PE.

Conforme apuração do Blog, ainda há R$ 21 milhões a serem pagos até a conclusão do segundo contrato, referente às “obras complementares”, até sua conclusão.