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Itaú compra precatórios dos professores do Recife por R$ 443,4 milhões; Gestão Campos abriu mão de R$ 124 milhões

O banco Itaú Unibanco S.A. venceu na manhã desta quinta-feira (6) por R$ 443,4 milhões o leilão da Prefeitura do Recife cujo objeto é a venda de títulos de precatórios do Fundef dos professores da rede municipal, fruto de um acordo entre a gestão do Recife e a Advocacia Geral da União (AGU). A operação – que na prática é uma antecipação de receita – foi um artifício para a gestão João Campos reforçar o caixa no final do ano em meio a dificuldades de fluxo, já que o acordo com a União previa o pagamento dos precatórios em três parcelas anuais: 2026, 2027 e 2028.

A Prefeitura ofereceu aos bancos um crédito de R$ 567,1 milhões – garantidos para serem recebidos a partir de 2026 – e aceitou receber ainda nesse mês de novembro R$ 443,4 milhões, ou seja, R$ 124 milhões a menos. Em resumo, para colocar o dinheiro imediatamente no caixa, a gestão do prefeito João Campos (PSB) aceitou abrir mão de mais de uma centena de milhões. Parte desse recurso seria garantido para os professores, que recebem parcela do Fundef.

Professores se mobilizaram pelos precatórios do Fundef, agora vendidos com desconto I Foto: Simpere

O deságio da operação foi de 21,81%, um pouco menos  do que o limite permitido pelo edital da Prefeitura, que era de 23,2%. Foram apresentadas apenas duas propostas: além do Itaú Unibanco S.A., o BTG Pactual S.A. ofertou uma lance de R$ 438,4 milhões.

Uma das questões mais polêmicas em relação à medida diz respeito aos valores que serão repassados aos professores: o leilão envolveu créditos do “principal” do precatório, ou seja, valores que obrigatoriamente precisam ser repassados aos professores além de investidos na rede municipal de ensino. Desse valor, que totaliza R$ 63,5 milhões, a gestão do Recife abriu mão de R$ 13,84 milhões. Esse dinheiro é, por lei, direito dos professores.

De acordo com parecer da procuradora-adjunta do município, Tatiana Mariz, o leilão tem como objetivo “incrementar a liquidez municipal para cobrir custos de transição previdenciárias e financiar investimentos estratégicos”.

 

 

 

 

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Manoel Medeiros

Jornalista e economista recifense, com trajetória na comunicação e gestão pública.

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