Sucesso empresarial da Construtora FJ, que já venceu 24 licitações junto à gestão do PSB no Recife, chama atenção do mercado e exige acompanhamento dos órgãos de fiscalização
Recife, 06/05/2026, 19h01
A Construtora FJ Ltda., instalada em fevereiro de 2022, é um case de sucesso empresarial, já tendo faturado desde a sua inauguração R$ 75 milhões junto à Prefeitura do Recife a partir da contratação para diversos serviços e obras, com destaque para a implantação de parques e praças, marcas da gestão do ex-prefeito João Campos (PSB) no Recife. Desde a inauguração, já venceu 24 licitações na gestão da capital. A maior parte dos contratos foi firmada junto à Emlurb, ao Promorar e à Secretaria de Projetos Especiais, três das principais unidades gestoras da administração municipal.
Um dos sócios da empresa (50% das cotas, representando R$ 2 milhões) é Felipe Emanoel Pereira Leite da Silva, de 22 anos, que até há pouco aparecia nas redes sociais como noivo da enteada do blogueiro Magno Martins, a quem Martins já chamou em postagem pública nas redes sociais de filha do coração.

A relação voltou a render comentários após a inauguração às pressas – e sem a conclusão dos serviços – da segunda etapa do Parque da Tamarineira, obra executada pela FJ e que teve uma entrega de forma inconclusa para atender ao desejo de João Campos, que renunciou ao cargo dias depois. Há questionamentos sobre a qualidade dos serviços realizados e sobre o valor do investimento (já foram gastos mais de R$ 16,5 milhões), incluindo indícios de superfaturamento de itens como brinquedos (cabanas) orçadas em R$ 44,2 mil cada. A FJ não foi a empreiteira que apresentou o menor valor na licitação, mas mesmo assim venceu porque a comissão de licitação da Emlurb inabilitou a empresa com menor preço – a Kaizen Construções.
Para efeito de comparação, o faturamento junto à gestão do Recife representa cinco vezes mais do que a empreiteira recebeu do Governo de Pernambuco no mesmo período (R$ 16,2 milhões), sendo o ano de 2022 – na gestão de Paulo Câmara – o maior faturamento da FJ junto à administração estadual (R$ 7,0 milhões). O ano eleitoral de 2024 foi, até agora, o exercício em que a FJ mais faturou junto ao município do Recife. Veja o gráfico:

O outro sócio da FJ, Wellington Pereira, que é tio de Felipe Emanoel, é dono de mais uma construtora com vários contratos junto à Prefeitura, sobretudo via Emlurb e Promorar. Trata-se da Construtora Mardifi, que desde 2022 já faturou 42 milhões com a mesma gestão do PSB no Recife. Felipe Emanoel, por sua vez, é filho dos donos da Construtora Faella, que faturou de 2022 a 2026 R$ 22,8 milhões em contratos também com o Recife. O grupo faturou, portanto, R$ 139,8 milhões de 2022 a abril de 2026.
O boom de contratos junto à gestão do PSB no Recife em pouco tempo coincidiria com o período em que o blogueiro passou a atuar reforçando críticas a grupos políticos de oposição ao partido do prefeito. A correlação, no entanto, demanda mais averiguações a respeito da legalidade ou não das relações contratuais entre a empreiteira e a gestão do PSB além da necessidade de comprovação de alguma influência que extrapole a relação pessoal entre o blogueiro e o empreiteiro. No mercado, há críticas à quantidade de licitações vencidas pelo grupo na Emlurb e no Promorar.

O fato é que a FJ passou a funcionar, reativando um CNPJ de 1982, no segundo ano de João Campos à frente da Prefeitura do Recife, último ano da gestão do ex-governador Paulo Câmara à frente do Palácio das Princesas. Naquele ano, inaugurou já faturando R$ 7,0 milhões de recursos estaduais na execução de contratos de construção de quatro quadras poliesportivas e reforma de uma escola na Região Metropolitana do Recife.

Na Prefeitura do Recife, os cinco maiores contratos assinados com a FJ foram os seguintes: segunda etapa da Tamarineira (R$ 18,8 milhões – Emlurb); manutenção de praças, parques, áreas verdes e canteiros (R$ 14,2 milhões – Emlurb); construção do Parque Jardim do Poço (R$ 10,6 milhões – Emlurb); implantação do complexo de Lazer da Vila do Papel (R$ 10 milhões – Promorar) e paisagismo do Parque Eduardo Campos (R$ 4,8 milhões – Secretaria de Projetos Especiais).