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Às vésperas de renunciar com contas no negativo, João Campos abre processo para vender dívida e captar meio bilhão de reais

Esgotamento das contas da Prefeitura do Recife em decorrência de sucessivos aumentos de despesas, sobretudo com custeio da máquina, levou gestão João Campos a decidir pela venda de parte da dívida ativa em prol de socorrer contas no primeiro ano de governo de seu parceiro Victor Marques (PCdoB)

Recife, 23/03/2026, 18h29

A Prefeitura do Recife abriu processo de licitação para contratar instituição financeira que comprará parte da dívida ativa do município do Recife em troca de repasse de valor entre R$ 470 milhões e R$ 560 milhões no terceiro trimestre deste ano, entre julho e setembro. A operação visa garantir o pagamento de custos previdenciários e manutenção do nível de investimentos do município ameaçados pelos gastos acima das receitas que marcaram os últimos três anos da gestão do prefeito João Campos (PSB).

João Campos vai entregar Prefeitura a Victor Marques com dificuldades financeiras Foto: Edson Holanda/PCR

O custo da operação será de até 5% do seu montante total, ou seja, a instituição financeira contratada receberá de R$ 23,5 milhões a R$ 28 milhões dos cofres municipais como taxa de pagamento além dos lucros obtidos com os títulos no mercado financeiro. A disputa para escolha do banco responsável pela operação está marcada para o próximo dia 16 de abril. No total, de acordo com a consultoria contratada pela Prefeitura (a Fipe), o município do Recife tem R$ 11,8 bilhões de dívida ativa passíveis de cessão, ou seja, aptos para venda ao mercado financeiro – a chamada operação de securitização. Uma lei municipal foi aprovada no ano passado permitindo as operações em conformidade com lei complementar federal de 2024.

Essa é a segunda operação de antecipação de recursos nos últimos meses. Venda dos precatórios do Fundef, em novembro de 2025, foi a primeira

A medida, que do ponto de vista fiscal marca o encerramento da gestão Campos à frente da Prefeitura do Recife, revela a situação deficitária que a administração do PSB na capital pernambucana repassará ao sucessor, o vice-prefeito Victor Marques (PCdoB). Nos últimos três anos, a Prefeitura fechou as contas com déficits primários crescentes: R$ 403,8 milhões (2023), R$ 474,2 milhões (2024) e R$ 518,8 milhões (2025). O ano passado ainda contou com a antecipação de R$ 435 milhões dos precatórios do Fundef, vendidos com desconto de R$ 124 milhões para o Banco Itaú Unibanco S.A. Apenas em 2024 e 2025, a Prefeitura captou e registrou o ingresso de R$ 2,1 bilhões em valores decorrentes de empréstimos com instituições financeiras locais e estrangeiras.

Segundo documentos da própria Prefeitura, “mesmo com um saldo da operação do FUNDEF da ordem de 200 milhões (não utilizados em 2025), e de acordo com as necessidades de financiamento do Município, ainda há a necessidade de captação de recursos para o ano de 2026 da ordem de R$ 556 milhões”. Esse valor é resultado de um déficit do Recifin previsto para somar R$ 440,4 milhões além da necessidade de investimentos de R$ 316,3 milhões. No quesito investimentos, a maior parte da “necessidade” seria referente às obras da Orla: R$ 97 milhões.

Os gastos crescentes da Prefeitura têm origem principalmente no inchaço da máquina pública, com mais cargos comissionados, terceirizados e serviços de contratação como locação de veículos, por exemplo. Apenas com a contratação de empresas de locação de mão de obra, a gestão João Campos registrou incremento, comparando 2025 com 2020, de 68,6% (de R$ 365,1 milhões para R$ 615,7 milhões).

 

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Manoel Medeiros

Jornalista e economista recifense, com trajetória na comunicação e gestão pública.

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