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Entregue incompleta, 2ª etapa da Tamarineira incluiu custo de R$ 2,6 milhões com paisagismo; sócio da empreiteira seria ligado a Magno Martins

Construído pela construtora FJ, que se notabilizou como construtora de parques e praças na gestão do PSB, obra da segunda etapa da Tamarineira foi entregue com serviços de qualidade duvidosa e itens ainda não executados

Recife, 29/04/2026, 11h21

Inaugurada às vésperas da renúncia do ex-prefeito João Campos (PSB), em 26 de março passado, a segunda etapa do Parque da Tamarineira apresenta uma série de serviços incompletos, itens com evidentes deficiências estruturais e indícios de possível superfaturamento em ações como o paisagismo, que segundo o projeto da construtora custaria até R$ 2,6 milhões.

Embora naturalmente o espaço já fosse bastante verde, o principal custo desse item, uma cerca viva de R$ 1,7 milhão, não é facilmente detectada quando se visita o novo equipamento. No orçamento, o cálculo da “cerca viva” previa a plantação de 24,7 mil mudas ao custo de R$ 71,21 por unidade.

Cerca viva previa plantação de 24,7 mil mudas por R$ 71,21 casa

Diante das inconsistências a respeito da inauguração do equipamento, o Blog remeterá um pedido de fiscalização ao setor de engenharia do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE). Dos R$ 18,9 milhões previstos, até o início de março já haviam sido pagos R$ 16,5 milhões, segundo a plataforma Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE).

Estratégia para evitar alagamentos incluiu orçamento de R$ 3,0 milhões entre drenagem, contenção do canal e construção de reservatórios

Contratada pela Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), a obra foi executada às pressas pela Construtora FJ Ltda., conhecida por ser a empreiteira responsável para implantação de vários parques e praças da gestão do PSB. Um dos sócios da construtora teria relação próxima com o jornalista Magno Martins. Com 22 anos, Felipe Emanoel Pereira Leite da Silva, dono de R$ 2 milhões em cotas da sociedade (50%), seria noivo da enteada do blogueiro.

Há várias fotos dos dois em confraternizações pessoais, mas desde que as primeiras revelações sobre a suposta relação pessoal vieram à tona, muitas informações deixaram de ser públicas, inclusive a do relacionamento do empresário com a enteada do jornalista. Martins processa na justiça estadual o militante Gabriel Asafe, filiado ao partido Missão, pelos questionamentos a respeito da relação próxima e o crescimento dos contratos da FJ junto à gestão do PSB. O outro sócio da empresa é Wellington Soares, tio de Felipe, dono de outra construtora também muito ativa na gestão do PSB, a Mardifi, que também tem relação societária com outra empreiteira, a Faella.

Felipe Emanoel com familiares. Reprodução: Instagram

A Construtora FJ foi a responsável pelo paisagismo do Parque Eduardo Campos (R$ 4,8 milhões), por uma parte da primeira etapa da própria Tamarineira – nesse caso, contratada sem licitação -, pela implantação do Jardim do Poço, nas imediações da Avenida 17 de Agosto, e tem contratos com a Emlurb para manutenção de áreas verdes e serviços de drenagem e pavimentação em paralelepípedo. Inaugurada em 2022 a partir da reativação de um CNPJ registrado em 1982, que estava desativado, a FJ já faturou com a gestão Campos mais de R$ 75 milhões.

No caso da primeira etapa da Tamarineira, uma auditoria especial do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) já identificou irregularidades como burla ao processo licitatório. Embora os resultados inclusive já tenham sido alvo de nova avaliação da equipe técnico, que confirmou a maior parte dos achados, o caso ainda não foi julgado. A relatoria é do conselheiro Marcos Loreto.

O grupo empresarial da Construtora FJ tem como principal contratante a Emlurb, presidida atualmente por Daniel Saboya, e faturou no mesmo período (2022/abril de 2026) cinco vezes mais com a gestão do Recife do que com o governo de Pernambuco. A relação junto à gestão estadual também teve início em 2022, logo após a reativação do CNPJ. O governador era Paulo Câmara.

Divergindo entre o projeto e o que foi efetivamente entregue, além da cerca viva de R$ 1,7 milhão que não é encontrada com facilidade pelos visitantes, não estão disponíveis itens como o pórtico de entrada da Avenida Norte  (custo previsto de R$ 478,4 mil) e quiosques, inclusive com previsão de áreas fechadas climatizadas. Há dúvidas também a respeito da conclusão da reforma do CPTRA, que custaria o montante de R$ 1 milhão.

Passeio de pedras apresenta deficiências evidentes poucos dias após inauguração

A questão da drenagem também aparece com evidências de falha, já que em chuvas do início de abril a área central da segunda etapa foi completamente inundada, incluindo parte da pista de cooper. Os serviços de drenagem foram orçados pela FJ por R$ 1,4 milhão somado a R$ 446 mil da contenção do canal do Jacarezinho. Além disso, estava previsto um investimento de dois reservatórios somando mais R$ 1,5 milhão. No total, portanto, a estratégia para contenção de alagamentos somaria um investimento de quase R$ 3,0 milhões.

Leia mais: “Empreiteira dos parques” já venceu 23 licitações no Recife e tem sócio com ligação próxima a jornalista

 

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Manoel Medeiros

Jornalista e economista recifense, com trajetória na comunicação e gestão pública.

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