Embora prazo contratual para conclusão da obra se encerre amanhã (1º de fevereiro), obra segue com conclusão abaixo de 35%; erros nos trechos considerados prontos devem atrasar mais a finalização
A obra de requalificação da Orla de Boa Viagem está passando por alterações em trechos já anunciados como prontos pela Prefeitura do Recife. O Consórcio Orla, conjunto de duas empresas responsáveis pelo contrato, foi obrigado a corrigir várias falhas no piso intertravado instalado, que apresentou diversas falhas e irregularidades no processo de assentamento. O Núcleo de Engenharia do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) será acionado por um grupo de representantes de moradores da Orla para que dê seu parecer sobre a obra e esclareça sobre quem pagará pelo equívoco.

A reportagem visitou o espaço e conferiu de perto o trabalho da construtora para refazer alguns trechos na área da Orla próxima ao limite com Jaboatão dos Guararapes. Embora o prefeito não tivesse inaugurado as partes anunciadas como concluídas, a Prefeitura já havia anunciado que estavam liberadas.
De acordo com fontes ligadas à empresa Concrepoxi Engenharia (a principal empreiteira do Consórcio Orla), a instalação equivocada de uma base de areia teria impedido que os blocos de concreto ficassem completamente adensados, causando desníveis e desencaixes e até mesmo remoção de unidades do bloco com facilidade. Na prática, alguns estariam soltos.


Em vários trechos, a exemplo da região próxima ao Hospital da Aeronáutica, os blocos têm sido retirados para a instalação de uma base mais densa, com cimento, própria para a instalação posterior dos intertravados. Além do trecho inicial, que vai do terreno da Aeronáutica (na divisa com Jaboatão dos Guararapes) até o trecho anterior ao Parque Dona Lindu, a revisão e troca serão necessárias. Outro trecho que apresenta defeitos e precisará passar por revisão é o que fica no Pina, próximo a onde ocorreu o Réveillon do Recife 2026.
Iniciado em 1º de agosto de 2024, o prazo de conclusão do contrato firmado junto ao Consórcio Concrepoxi-EIP é de 18 meses (conclusão amanhã, em 1º de fevereiro de 2026). Um aditivo será publicado nos próximos dias para oficializar o adiamento. Inicialmente contratada por R$ 109,8 milhões, a obra passou por um aditivo (inclusão de serviços extras) e um apostilamento (reajuste), atualmente totalizando R$ 133,3 milhões. A necessidade de retificações em boa parte dos trechos concluídos sugere mais custos para o contrato.

MOBILIÁRIO – Além dos defeitos no calçadão, a ausência do prefeito – que chegou a visitar o espaço de madrugada – também tinha relação com o atraso na compra do mobiliário, que estava com sobrepreço milionário. Dessa forma, não foram instalados equipamentos de segurança necessários à conclusão da intervenção, como tachas reflexivas na divisão entre a ciclovia e a área de pedestres, assim como balizadores de granito, floreiras, lixeiras e bancos. Uma medida cautelar foi apresentada no final de novembro pelo jornalista e economista Manoel Medeiros no sentido de impedir a compra com sobrepreço e ainda não foi analisada pelo relator Dirceu Rodolfo.