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João Campos emprega no PSB nacional amigo da família réu por corrupção no Governo de PE; salário é de R$ 16,9 mil

Considerado um dos mais próximos ajudantes da família Campos e denunciado pelo MPF por corrupção no governo Paulo Câmara, Thiebaut já recebeu mais de meio milhão de reais dos cofres do PSB nacional

O presidente nacional do PSB, João Campos, está usando recursos públicos do fundo partidário para pagar mensalmente R$ 16,9 mil a um ex-secretário do governo de Pernambuco e amigo de sua família réu por corrupção passiva. A informação foi revelada pela coluna Painel, da Folha de S. Paulo, nesta quinta-feira (22) – leia aqui.

De acordo com o Ministério Público Federal, Thiebaut – um dos melhores amigos da família Campos – foi tesoureiro da campanha de Campos em 2020. Na campanha de 2024, os advogados do ex-secretário contestaram a acusação e pediram a rasura dessa informação de que ele havia sido tesoureiro de Campos, mas o pedido foi negado.

Renato Xavier Thiebaut era braço direito do ex-governador Eduardo Campos e atuava como tesoureiro das campanhas do partido. Muito próximo também da ex-primeira-dama Renata Campos, Thiebaut foi acusado de receber propinas por obras na Compesa e nas secretarias de Saúde, Educação e Projetos Estratégicos, essa última onde atuava como secretário na gestão Paulo Câmara. Conforme as investigações, ele atuava junto ao empresário Sebastião Figueiroa, que também é réu. Entre as ofertas, Figueiroa garantiria a moradia do ex-secretário em apartamento alugado por valor abaixo ao de mercado e também teria realizado reformas numa casa de campo.

Thiebaut era todo poderoso da gestão Eduardo Campos e manteve prestígio no governo Paulo Câmara; proximidade com Eduardo e Renata Campos sempre abriu portas

Thiebaut foi alvo da Operação Articulata em 2021, mas mesmo assim continuou como secretário de Projetos Estratégicos da gestão do PSB até dezembro de 2022. A partir de 2023, passou a ocupar um espaço no Diretório Nacional do PSB, inicialmente com remuneração líquida de R$ 14.045,64, segundo o sistema de divulgação das prestações de contas das siglas partidárias gerido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nesses três anos, Renato Thiebaut recebeu mais de meio milhão de recursos públicos do fundo partidário (R$ 513.838,82).

O processo, que teve a denúncia apresentada pelo MPF em junho de 2024 – mesmo mês em que a 13ª Vara Federal no Recife a aceitou, abrindo a ação penal – não tem movimentação pública desde novembro de 2025, quando subiu para o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) por conta de uma nova interpretação do Supremo Tribunal Federal a respeito do foro privilegiado.

Relatório da PF que instruiu denúncia do MPF revelou ligação forte entre Thiebaut e o empresário Sebastião Figueiroa

De acordo com reportagem da Marco Zero Conteúdo sobre os dez anos do falecimento do ex-governador Eduardo Campos, Thiebaut era um dos três únicos assessores do ex-governador a ter o acesso direto à sua agenda (os outros dois eram Evaldo Costa e Tadeu Alencar). “As luzes do gabinete do governador e das salas adjacentes ficavam acesas até de madrugada. Quando precisava tomar uma decisão ou decidir algum problema grave, Eduardo convocava seus colaboradores diretos. O chefe de gabinete Renato Thiebaut, o então procurador-geral do Estado, Tadeu Alencar e Evaldo Costa figuravam nesse grupo, registra o texto de Inácio França e Jorge Cavalcanti.

CURRÍCULO – Bacharel em Direito, Thiebaut iniciou sua carreira na política como assessor parlamentar do Deputado Federal Eduardo Campos, entre 2002 e 2004; Diretor Financeiro da Fundação João Mangabeira; Chefe de Gabinete no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, na gestão Eduardo Campos; Assessor Especial, Ordenador de Despesas, Coordenador-Geral de Recursos Logísticos e Subsecretário de Planejamento, Orçamento e Administração do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e chefiou o Escritório de Representação do Estado de Pernambuco em Brasília, em 2007. Nas duas gestões do ex-governador Eduardo Campos (2007 a 2014), foi secretário Chefe de Gabinete do Governador. De 2015 a 2022, foi secretário do Gabinete de Projetos Estratégicos da gestão Paulo Câmara.

 

 

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Manoel Medeiros

Jornalista e economista recifense, com trajetória na comunicação e gestão pública.

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