Anunciadas em dezembro de 2023 e com contrato assinado desde novembro de 2024, obras não saíram do papel e expõem canteiro abandonado em frente à sede do Tribunal de Contas do Estado
A segunda etapa de requalificação do Cais da Aurora – que incluiria as varandas 2, 5, 6 e 7 da Rua da Aurora e a pedestriniziação da rua Mamede Simões, na Boa Vista -, anunciadas e contratadas pela gestão do prefeito João Campos (PSB), completam neste sábado (22) um ano sem qualquer alteração no cenário urbano da região central da capital pernambucana.
Apesar de o contrato da obra ter sido assinado pelo presidente da URB, Luís Henrique Veiga Farias de Lira, em 22 de novembro de 2024, com previsão de entrega para março de 2026, apenas um canteiro abandonado pode ser visto exatamente em frente à sede do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE). Parte dos recursos para financiamento da intervenção é proveniente de operação de crédito da Prefeitura com o Banco do Brasil.

De execução financeira, apenas R$ 40 mil – da instalação do primeiro canteiro – foram cobrados da empresa à Prefeitura, que alegou que a licença de instalação da obra foi emitida apenas em abril de 2025 e o que o período das chuvas do inverno desse ano teria atrapalhado. Mesmo com a licença em mãos e com o início do verão, a obra não deslanchou.
A segunda etapa da requalificação da Aurora havia sido anunciada em dezembro de 2023 pela gestão municipal, mas o processo licitatório se arrastou durante todo o ano de 2024 e o contrato com a JWA S.A., da capital paulista, que venceu a licitação, só veio ser assinado um ano atrás.
O contrato de R$ 15,8 milhões do Cais da Aurora prevê a requalificação completa das áreas entre as pontes do Limoeiro e Princesa Isabel, incluindo a requalificação das varandas 2, 5, 6 e 7; a implantação de banheiros e brinquedos lúdicos nas varandas 3 e 4; e a pedestrianização da rua Mamede Simões. A contratação inclui a implantação de pista de cooper com aproximadamente 900m de extensão, que percorrerá o trecho entre as duas pontes.

A área também seria beneficiada com novo mobiliário como divisor para o rio Capibaribe, incluindo banco linear em concreto e trechos em madeira para pontuar áreas de assento com encosto. A obra anterior – efetivamente realizada – ocorreu nas varandas 3 e 4, custou R$ 1,9 milhão, e foi entregue em dezembro de 2022.
CRISE – Trata-se de mais um obra parada ou inacabada da Prefeitura do Recife num cenário de esgotamento fiscal do município, que precisou vender ativos futuros – com deságio de quase 22%, como no caso dos precatórios do Fundef dos professores – para fechar as contas de 2025. Esse ano, até novembro, o município gastou R$ 1,12 bilhão em dívidas de anos anteriores – principalmente de 2024 – sendo R$ 694,5 milhões de restos a pagar e 423,8 milhões de despesas de exercícios anteriores, as chamadas “DEA”.