Alvo da Operação Vassalos da Polícia Federal, família Coelho tem poder sobre importante secretaria da gestão João Campos no Recife e impôs ritmo próprio à Pasta de Turismo de Lazer
Atingida por uma megaoperação da Polícia Federal que teve como alvo 19 pessoas físicas, 14 empresas e 3 repartições públicas, por suspeita de desvios de recursos de emendas parlamentares, a família Coelho tem como berço político o município de Petrolina, mas domina um feudo de poder na mais importante e rica prefeitura de Pernambuco, a do Recife.
Desde setembro de 2023, o grupo político comanda a Secretaria de Turismo e Lazer da gestão do prefeito João Campos (PSB), primeiro sob o comando direto do deputado estadual Antônio Coelho (União) e desde o início de 2025 com a nomeação do publicitário Thiago Angelus.

Além da privatização da festa do Réveillon, com área pública e camarote VIP pago, e domínio direto das pactuações com patrocinadores, a gestão do grupo no Turismo é marcada pelo desembarque no Recife da mesma empresa de publicidade que faz o marketing institucional da Prefeitura de Petrolina: a Pettra Propaganda e Publicidade Ltda., que venceu licitação junto a outras quatro empresas em março de 2025. Na execução orçamentária, a novata Pettra, com matriz no Sertão do São Francisco, foi a que mais realizou serviços junto à Secretaria em 2025 (R$ 2,2 milhões).

A Secretaria comandada pelos Coelho tem disponibilidade orçamentária de R$ 43,6 milhões para o ano de 2026 e é estratégica na mobilização e realização de ações temporárias nos períodos festivos, sobretudo o Carnaval e o Réveillon. A estratégia de conceder à iniciativa privada um trecho da praia do Pina para realizar o festival Virada Recife (2024, 2025 e 2026) foi uma medida da sua gestão à frente da Pasta. Mesmo sem vencer licitação, um grupo de produção de festas muito próximo do clã – e com experiência no mercado – termina organizando e administrando o evento, que na edição de 2025 teve problemas na prestação de contas, com suposta subnotificação de receitas.

Com 18,04% dos votos no primeiro turno da eleição de 2022 para o Palácio do Campo das Princesas, Miguel Coelho caminhava para ser candidato majoritário na chapa de João Campos na eleição deste ano. Embora sublinhasse a todo instante o desejo de ser candidato a senador, uma possibilidade considerada seria a ocupação da candidatura a vice-governador, hipóteses que ainda podem ser confirmadas caso o pré-candidato consiga amenizar a crise decorrente da operação.
Em nota, Miguel e o seu irmão, o deputado federal Fernando Coelho, negaram irregularidades e acusaram “viés político” da operação, sem indicar quem seria o suposto interessado. Eles negaram irregularidades e afirmaram que as emendas em questão trouxeram desenvolvimento para Petrolina.
Embora tenha se falado em conversas entre Coelho e a governadora Raquel Lyra para composição da chapa governista, todos os acertos de Miguel Coelho com João Campos, incluindo tudo que envolve a Secretaria de Turismo e Lazer, deixavam claro que o caminho natural era a manutenção da aliança com o prefeito, que tem vários vídeos postados em collab junto com o ex-prefeito de Petrolina.
A própria postura do ex-secretário de Turismo e atual deputado estadual Antônio Coelho como presidente da Comissão de Finanças da Assembleia Legislativa, atuando em parceria com a oposição – sobretudo o PSB -, ratificava o movimento em prol de João.