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“Inaugurada” às pressas, 2ª etapa da Tamarineira tem aditivo e fim da obra fica para 27 de agosto; há suspeita de superfaturamento milionário

Aditivo contratual adia por mais quatro meses a conclusão das obras, inauguradas sem a conclusão de todos os serviços e com deficiências na drenagem

Recife, 08/05/2026, 12h09

A Prefeitura do Recife adiou a conclusão da obra da 2ª etapa do Parque da Tamarineira por mais quatro meses, agora com termo final previsto para 27 de agosto desse ano. O primeiro aditivo da obra, iniciada no final de outubro de 2025 sob responsabilidade da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), evidencia que a inauguração realizada pelo ex-prefeito João Campos (PSB) no dia 26 de março atendeu apenas ao calendário eleitoral do político, que precisava renunciar ao cargo para o qual foi eleito até quatro de abril.

Áreas do Parque inaugurado ainda seguem com tapumes aguardando conclusão

Em reportagem do Blog, de 29 de abril, já havia sido constatado que a obra havia sido entregue incompleta, com deficiências em instalações  e indícios de superfaturamento. Itens como o pórtico de entrada na Avenida Norte, os serviços de drenagem, o muro na desapropriação, os quiosques, o espaço comercial e a reforma do CPTRA não foram concluídos. Ainda assim, até o início de março mais de R$ 16,5 milhões já haviam sido pagos da Emlurb para a empreiteira. Parte dos caminhos de pedra também apresenta desnível e mau acabamento. Nas últimas chuvas, parte do equipamento ficou totalmente embaixo d’água.

Aditivo contratual adia fim da execução da obra para 26 de agosto, estando “pronta” a partir do dia 27

Em relação ao superfaturamento, há indícios de que parte do mobiliário e dos brinquedos foi orçada com valores acima do mercado, a exemplo das “casas cabana”, que custaram, conforme o orçamento da Construtora FJ, R$ 44,2 mil cada. O valor supera em 130% o preço pago na primeira etapa pelo mesmo item (R$ 19,2 mil), que já estaria acima do valor de mercado.

Felipe Emanoel em eventos sociais e familiares com Magno Martins. Ao fundo, parte da obra da segunda etapa da Tamarineira

Outros pontos questionáveis dizem respeito ao paisagismo, que teria custado R$ 2,6 milhões, com a plantação de 24,7 mil mudas de arbustos ou cerca viva por R$ 71 cada e os problemas de drenagem, ação que previa gastos de R$ 3 milhões, somando a drenagem em si, a contenção do Canal do Jacarezinho e a construção de reservatórios.

A obra está sendo realizada pela Construtora FJ Ltda., que chama atenção pelo número de contratos firmados junto à administração do PSB na capital, muitos deles para implantação ou manutenção de parques, praças e áreas verdes. Instalada em 2022, em Boa Viagem, no Recife, a empreiteira já faturou mais de R$ 75 milhões junto à gestão municipal, sobretudo via contratos com a Emlurb, o Promorar e a Secretaria de Projetos Especiais. Um dos sócios, que detém 50% das cotas da sociedade, é Felipe Emanoel da Silva, que seria noivo da enteada do blogueiro Magno Martins.

A empresa foi a responsável por parte da 1a etapa do Parque da Tamarineira (sem licitação), pela implantação do parque Jardim do Poço, pelo paisagismo do Parque Eduardo Campos e também pela instalação de um complexo de lazer na Vila do Papel/João Paulo II, na Joana Bezerra.

Passeio de pedras apresenta deficiências evidentes poucos dias após inauguração
Estratégia para evitar alagamentos incluiu orçamento de R$ 3,0 milhões entre drenagem, contenção do canal e construção de reservatórios
Cerca viva previa plantação de 24,7 mil mudas por R$ 71,21 casa

Leia mais: Entregue incompleta, 2ª etapa da Tamarineira incluiu custo de R$ 2,6 milhões com paisagismo; sócio da empreiteira seria ligado a Magno Martins

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Manoel Medeiros

Jornalista e economista recifense, com trajetória na comunicação e gestão pública.

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