Licitação do programa Recife no Mundo está sendo questionada na Justiça e no TCE e teria escolhido empresa pertencente a grupo irregular
Recife, 12/05/2026, 19h25
Uma das últimas contratações de porte da Prefeitura do Recife sob João Campos (PSB), assinada em 26 de março de 2026 pela secretária municipal de Educação, Cecília Cruz, num montante de R$ 5,3 milhões, está sendo contestada na Justiça estadual e é alvo de apuração em órgãos de controle por supostas fraudes na contratação de 121 pacotes de intercâmbio para os Estados Unidos, Canadá e Inglaterra (quatro semanas de curso de inglês em julho próximo).
A empresa vencedora, mesmo desconhecida do mercado, já recebeu antecipadamente R$ 4,4 milhões (82%) da gestão municipal no último dia cinco de maio.

O modus operandi incluiria o descumprimento das normas do edital, a aceitação de atestados técnicos com indícios de fraude e a desclassificação arbitrária de empresas conhecidas do mercado e manteria a relação dos governos do PSB com o mesmo grupo que gestou a crise do programa Ganhe o Mundo (intercâmbios na rede estadual) no governo Paulo Câmara, em 2019. Desde então, por conta das irregularidades, foram seis anos de interrupção do programa, retomado na rede estadual em 2025 após reformulações nas contratações.
Entre as irregularidades apontadas, destacam-se indícios de utilização da empresa Real Tur como veículo para burlar sanções vigentes impostas às empresas antecessoras; déficit de verificabilidade do atestado de capacidade técnica emitido pela Educar do Brasil Distribuidora Ltda. assimetria objetiva de tratamento entre licitantes e risco de lesão ao erário decorrente de previsão de pagamento antecipado. Ano passado, outra empresa do mesmo grupo também foi contratada pela Prefeitura para o Recife no Mundo.
O pedido de um mandado de segurança para intervir na contratação da empresa que tem indícios de irregularidade partiu da empresa Seda Intercâmbios e Viagens Ltda., de São Paulo, e tramita desde 18 de março deste ano na 7ª Vara da Fazenda Pública da Capital, ainda sem pronunciamento da juíza Eliane Ferraz Guimarães Novaes (matéria em instrução). A agência de intercâmbios paulista, que tem site, redes sociais e sede ativa, também solicitou a expedição de uma medida cautelar no Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE).

O grupo beneficiado com a suposta fraude seria comandado pelos mesmos sócios da empresa 2G Turismo e teria empresa impedida de contratar com o poder público até 2031, mas utilizaria a prática de utilização de outros CNPJs para garantir a participação irregular nos certames. A suposta sucessão empresarial para burlar sanção de inidoneidade seria composta por Real Tur, 2G Turismo, You Viagens e Lourenço da Silva Turismo.
Apesar das evidências, a gestão do PSB habilitou e contratou uma empresa (Real Tur Representações Ltda., com sede em Piedade, Jaboatão) que seria fachada de um grupo empresarial que teria dado calote de C$2 milhões nas escolas do Canadá e deixado centenas de alunos das escolas estaduais sem assistência em 2019. As escolas canadenses chegaram a vetar a recepção de novos estudantes pernambucanos via programas de intercâmbio subsidiado pelo poder público. O prejuízo junto ao governo estadual teria sido de R$ 10 milhões.
O Blog não encontrou perfis da Real Tur Representações nas redes sociais e o site indicado nos documentos oficiais não estava funcionando durante a apuração da matéria.