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Atestados da microempresa do Ceasa usados para venda milionária de motos e bikes têm indícios de fraude e foram emitidos pelo mesmo grupo de cosméticos via CNPJ de SP

Recife, 18/03/2026, 12h17

Os documentos validados pela gestão João Campos foram emitidos pelo mesmo grupo de cosméticos via CNPJ de SP e podem confirmar fraudes nos processos de licitações, que tiveram informações divulgadas ao público pelo prefeito João Campos (PSB) antes mesmo da conclusão da disputa

A gestão João Campos (PSB) validou a apresentação de dois atestados de capacidade técnica com indícios de fraude apresentados pela microempresa de distribuição de cosméticos, com sede no Ceasa, habilitada para venda de 1,1 mil motos e bicicletas elétricas ao custo de R$ 8,7 milhões. Os atestados que provariam a competência da fornecedora para a venda de motos e bikes elétricas foram apresentados pelo mesmo grupo empresarial da área de cosméticos e perfumaria da microempresa do Ceasa e podem ter sido combinados previamente e até mesmo forjados.

Nas duas licitações da Empresa Municipal de Informática (Emprel) utilizadas para a definição da fornecedora das bikes e motos elétricas (licitações 008/2025 e 001/2026, respectivamente), a microempresa Bandeira Distribuidora de Alimentos e Cosméticos Ltda. utilizou como prova de capacidade técnica para o fornecimento milionário dois documentos emitidos por uma empresa pertencente ao mesmo grupo: a FJ Albuquerque Tecnologia e Comércio de Cosméticos Ltda., com sede no município de Bom José dos Perdões, interior de São Paulo.

A FJ Albuquerque está sediada no mesmo endereço de uma outra empresa, a RS Bandeira Indústria Brasileira de Cosméticos Ltda., pertencente ao mesmo dono da Bandeira Distribuidora, do Ceasa. Segundo registros do CNPJ na própria Receita Federal, as empresas – além do mesmo endereço – estão registradas com o mesmo número de celular com DDD de Pernambuco (81). A FJ Albuquerque também tem como atividade econômica principal o “comércio varejista de produtos de perfumaria e de higiene pessoal”.

De acordo com os atestados, a Bandeira Distribuidora forneceu para a FJ 480 unidades de bicicletas de alumínio aro 26 com 24 marchas, 120 unidades de “Aparelhos Celular” e 120 unidades de moto elétrica 1000 W, entre outros itens. A FJ foi criada há menos de um ano, em abril de 2025. Conforme apuração deste Blog, a empresa fica situada em três lojas de um Galpão do Ceasa. Quando da visita, em horário comercial, a unidade estava fechada com uma coberta metálica e havia uma faixa de plástico com o nome “Bandeira Distribuidora”.

Sede da empresa fica em galpão no Ceasa

Na licitação que ainda não foi concluída (referente às quatrocentas motos elétricas), três empresas apresentaram recurso contestando, entre outros fatores, justamente a validade dos atestados de capacidade técnica. De acordo com a Manupa Veículos, a Bandeira “apresentou atestados genéricos, sem comprovação por notas fiscais ou contratos”. Já a JC Triciclos, que também recorreu, argumenta que o atestado das motos data de dias após o início da licitação: “mostra-se necessária a realização de diligência para verificação da veracidade das informações apresentadas, mediante a solicitação de notas fiscais”. Os recursos ainda não foram apreciados pela Prefeitura.

Mesmo sem a conclusão da licitação, o prefeito João Campos declarou na última quinta-feira (12) que quinhentas motos elétricas já estariam em fase final de produção numa fábrica da China, chamando atenção para a possibilidade de burla ao processo legal de contratação.

Os atestados de capacidade técnica e a sua higidez são fundamentais em qualquer disputa pública para fornecimento de produtos pois confirmam ou não a capacidade de um concorrente cumprir o contrato a partir da demonstração prévia de que aquela empresa já comercializou itens iguais ou semelhantes. No caso de uma microempresa que distribui cosmésticos e perfumes, com capital social que representa apenas 2,3% do valor contratado nas compras (R$ 200 mil diante de compras de R$ 8,7 milhões), os atestados de capacidade técnica são ainda mais decisivos.

Leia mais:

Microempresa de cosméticos com sede no Ceasa é a escolhida da gestão João Campos para fornecer R$ 8,7 milhões em bikes e motos elétricas; capital social é de apenas R$ 200 mil

 

 

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Manoel Medeiros

Jornalista e economista recifense, com trajetória na comunicação e gestão pública.

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