Empresa privada cercou equipamento e prepara demolição da pista existente há 40 anos para construção de “arena gastronômica”; concessionária entregou novo circuito de pump track aos usuários no final de 2025
A concessionária do Parque da Jaqueira, a Viva Parques ZN S.A., turbinou a velocidade de intervenções neste início de janeiro e já cercou a pista de bicicross (BMX) do equipamento público, preparando sua demolição para os próximos dias. No local, será construída uma área de alimentação com restaurante. Próximo de completar um ano do início da gestão privada do espaço público, o Parque ainda não estaria rendendo o que os investidores esperavam e a necessidade de agilizar a implantação de serviços comerciais e mais rentáveis aos cofres da concessionária tem pressionado maior agilidade nas obras.

A movimentação confronta recomendação anterior do Ministério Público do Estado de Pernambuco (MPPE), datada de 11 de novembro do ano passado, quando o órgão de fiscalização determinou que a empresa privada se “abstenha de autorizar ou suspenda autorização já concedida para a desativação e demolição da pista de bicicross do Parque”. O Blog buscou informações sobre possíveis mudanças na recomendação, mas ainda não obteve resposta.
Em paralelo, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), por meio de sua Superintendência em Pernambuco, reuniu o colegiado técnico dos órgãos de preservação do patrimônio e deliberou pela liberação da demolição do equipamento. A decisão é de 16 de dezembro de 2025. O Iphan havia embargado as obras no Parque da Jaqueira, que conta com um bem tombado desde 1938: a Capela Nossa Senhora da Conceição da Jaqueira.
Na Jaqueira, a área do parque infantil localizada próxima da Rua do Futuro já foi novamente fechada para reforma do playground. Parte dos equipamentos foi realocada próxima aos brinquedos maiores, no centro do equipamento. A concessionária também entregou a nova pista de pump track, situada na margem oposta à entrada principal, próxima à Avenida Rui Barbosa.
De acordo com as promotoras Fernanda Henriques da Nóbrega e Belize Câmara Correia na recomendação de novembro, a pista de pump track não se “equivale tecnicamente com a do bicicross. (O pump track) é modalidade distinta de ciclismo, menos radical e dirigida a iniciantes, o que se percebe pelas diferentes características físicas dos equipamentos”.
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Ainda segundo as promotoras, a Pista de Bicicross (BMX) no Parque da Jaqueira é “uma área de lazer consolidada e de grande valor para a comunidade esportiva e para a memória da cidade está sendo extinta”. Elas também afirmaram que “o equipamento é voltado para um esporte radical que exige velocidade, técnica e adrenalina, sendo praticado em pistas com obstáculos, curvas e saltos, sendo reconhecido como uma modalidade de alto rendimento e esporte olímpico desde 2008”.
Fernanda Nóbrega e Belize Câmara também fundamentaram a recomendação no fato de que “o espaço gastronômico que está sendo anunciado para ocupar parte da área da pista de bicicross constitui um espaço destinado à exploração comercial e consumo pago, o que representa uma alteração fundamental na vocação do espaço público da pista de bicicross”.

CONCESSÃO – Fundada por um grupo de sócios, que inclui uma empresa de São Paulo e a BG Promoções, do produtor Bruno Rêgo, a Viva Parques gere o Parque da Jaqueira e outros três parques municipais: Lindu, Santana e Apipucos. Os valores da outorga pagos foram considerados baixíssimos em contraponto a uma “obrigação” de investimentos significativa.
Enquanto o Dona Lindu foi concedido à Viva Parques Recife Zs S.A. por apenas R$ 140.599,91 os parques da Jaqueira, Santana e Apipucos – também sob responsabilidade do mesmo grupo – Viva Parques Recife Zn S.A. – valeram o lance de R$ 198.306,75. As empresas, que pertencem ao mesmo grupo societário, têm o compromisso de investir R$ 413 milhões nos próximos 30 anos nos quatro equipamentos públicos.