Recife, 14/03/2026, 13h20
Em dezembro, jornalista Manoel Medeiros trouxe à tona questionamentos a respeito da mistura de público e privado na festa de Réveillon promovido pela Prefeitura do Recife a partir de empresas privadas; modelo poderia ser “negócio da China” para produtores enquanto geraria prejuízo aos cofres públicos
O Ministério Público de Contas do Estado de Pernambuco (MPC-PE) solicitou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), no último dia dois de março, a abertura de uma auditoria especial para o aprofundamento da prestação de contas do evento “Virada Recife 2024/2025”, promovido por empresa privada a partir de concessão realizada pela Prefeitura do Recife.
De acordo com a representação interna do Ministério Público, assinada pela procurada Germana Laureano, parte dos questionamentos levantados pelo jornalista e economista Manoel Medeiros em dezembro de 2025 devem ser aprofundadas por auditoria da Corte de Contas sob relatoria do conselheiro Valdecir Pascoal. Não há confirmação se o procedimento de auditoria oficial já foi instaurado.
Segundo a análise do MPC-PE, restaram evidentes os indícios de que todos os custos com estrutura para o evento apresentam custo zerado; da divulgação gratuita da empresa Bet.Bet; a ausência de elementos que permitam aferir a conformidade ao mercado dos valores dos ingressos comercializados e, por fim, o fato de a empresa permissionária, Talentos Promecc Produção de Eventos Ltda., ter realizado subcontratações “em valores significativos sem colher autorização prévia da Administração Municipal, ao arrepio do disposto no Contrato de Permissão de Uso”.

Por outra parte, o MPC-PE informou que o trecho da denúncia que apontava para falta de transparência na oferta dos espaços de publicidade ao mercado, apontado por Manoel Medeiros, não confere. Essa parte foi indeferida.
Para Manoel Medeiros, o pedido de abertura de auditoria é um avanço institucional no sentido de dar respostas à sociedade a respeito do modelo utilizado pela gestão do PSB no Réveillon da capital pernambucana. Ele também protocolou representação no Ministério Público do Estado de Pernambuco, ainda sob avaliação numa das promotorias de Patrimônio Público da capital.
“Eu disse lá atrás que esse é um modelo que parecia um negócio da China e a gente confia nos órgãos de fiscalização para fazer essa análise. Fica parecendo que a própria Prefeitura quem banca toda a estrutura, que tem um custo milionário, entregando para uma empresa de pessoas conhecidas do prefeito, que não participa de licitação, apenas o filé da festa. Também há dúvidas sobre os patrocínios, como o da Itaipava, que não aparece na prestação de contas inicial com repasse de nenhum quantitativo em espécie, apenas troca de produtos, o que me parece incompatível com o modelo da festa, já que a Itaipava é patrocinadora master e tem o direito de exclusividade de venda da sua cerveja na área pública”, afirma.

Em dezembro, após a divulgação da denúncia, a Prefeitura tirou do ar os documentos da prestação de contas da Virada Recife 2025, mas todos os documentos (antes públicos) já tinham sido baixados.
