Itaú venceu a fase de disputas entre instituições financeiras para operar securitização da dívida ativa do Recife, garantindo antecipação de recursos para a Prefeitura
Recife, 16/04/2026, 16h
O Itaú Unibanco S.A. venceu na manhã desta quinta-feira (16) a disputa entre três instituições financeiras que se apresentaram na licitação da Prefeitura do Recife (Secretaria de Finanças) e se encaminha para ser o banco responsável pela antecipação de recursos da dívida ativa do município do Recife para socorrer o caixa da Prefeitura esse ano. A previsão é que após a assinatura do contrato, em três meses o montante adiantado da dívida – que passará a ser cobrada diretamente pelo banco – possa ser creditada nos cofres municipais.

Trata-se do mesmo banco que também socorreu a gestão municipal, em novembro de 2025, antecipando R$ 443 milhões dos precatórios dos professores do Recife, numa operação onde o município abriu mão de R$ 124 milhões de recursos que foram disponibilizados pela União a partir de acordo firmado com a Prefeitura. Na época, foi anunciado que todo o dinheiro (o montante é de R$ 900 milhões) seria destinado para a educação, o que não está ocorrendo. Até hoje, professores e demais beneficiários ainda não receberam qualquer repasse referente a esses direitos.
Embora pouco discutida, a situação fiscal do Recife foi deixada pelo ex-prefeito João Campos (PSB) para o seu sucessor, Victor Marques (PCdoB), em situação delicada. Desde 2023, a capital pernambucana fechou três anos consecutivos com déficit fiscal e o volume de restos a pagar e despesas de exercícios anteriores registrados – que, na prática, significam pagamentos deixados em aberto – só aumentou. Em contrapartida, a máquina municipal tem sido alvo de ações de expansão do gasto público, como aumento de dispêndios com cargos comissionados e terceirizados.
Na prática, a gestão do PSB vai ao mercado financeiro para antecipar parcelas de dívidas já contratadas junto aos contribuintes (pessoas físicas e empresas) previstas para serem pagas em 2026 (segundo semestre), 2027, 2028, 2029, 2030 e 2031 (primeiro semestre). Na disputa de hoje, o Itaú apresentou a menor taxa de cobrança pela operação: 0,04% e terá até a próxima quarta-feira (22) para apresentar documentação comprovando a exequibilidade da proposta.

Segundo documentos da própria Prefeitura, “mesmo com um saldo da operação (de leilão dos precatórios) FUNDEF da ordem de 200 milhões (não utilizados em 2025), e de acordo com as necessidades de financiamento do Município, ainda há a necessidade de captação de recursos para o ano de 2026 da ordem de R$ 556 milhões”. Esse valor é resultado de um déficit do Recifin previsto para somar R$ 440,4 milhões além da necessidade de investimentos de R$ 316,3 milhões.