Recife, 12/03/2026
URGENTE
O gabinete do presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco (Alepe), Álvaro Porto, foi notificado oficialmente na tarde desta quinta-feira (12) a respeito da atuação, na semana passada, de policiais civis lotados na Superintendência de Inteligência Legislativa (Suint) da Assembleia em endereço dos pais do jornalista e economista Manoel Medeiros.
“No dia 04 de março de 2026, por volta das 15h15, dois policiais compareceram ao prédio onde residem os genitores do notificante, registrada pelo sistema de videomonitoramento do edifício. Na ocasião, os agentes não apresentaram qualquer mandado judicial, tampouco ordem escrita de autoridade competente, e não deixaram documento algum que justificasse ou formalizasse a diligência realizada”, registra a notificação.

Após a visita, parentes do jornalista também receberam a notícia de que os policiais estariam entrando em contato com pessoas próximas à família questionando onde o jornalista está residindo, ratificando o caráter intimidatório da ação.
Em agosto do ano passado, em meio à tentativa da instalação da CPI da Publicidade, Álvaro Porto afirmou que tomaria providências sobre pessoas que estariam criticando deputados e a própria Casa e que essas pessoas “não sabem com quem mexeram”. Uma semana depois, foi à tribuna e deu entrevista coletiva acusando Manoel Medeiros de ser “chefe de milícia digital”.
No dia, a partir da coordenação da Superintendência de Comunicação da Alepe e da estrutura da Casa, Álvaro Porto afirmou que a Suint tinha identificado Manoel Medeiros como autor de uma denúncia anônima ao Ministério Público de Contas questionando indícios de mau uso dos recursos públicos no gabinete da deputada Dani Portela (PSOL). O procedimento teria durado apenas 24 horas e o jornalista nunca foi notificado de nada para apresentar qualquer defesa.
À época, Manoel Medeiros registrou boletim de ocorrência sobre o que considerou ameaça à sua própria vida e representou ao procurador-geral de Justiça solicitando providências sobre a investigação informal, considerada por ele “flagrantemente ilegal”, que o constrangeu e traz repercussões até hoje nas esferas pessoal e profissional. Imagens de Manoel Medeiros obtidas pela Suint no shopping Riomar foram divulgadas na imprensa (blogs e televisões) com a tarja “imagens cedidas pela Alepe”.
O presidente da Casa também postou as imagens da investigação da própria Alepe nas suas próprias redes sociais. A Suint é subordinada diretamente ao presidente da Assembleia, atuando como “delegacia” sob as ordens do chefe do Poder Legislativo estadual.
O texto endereçado ao presidente do Poder Legislativo também registra que “nesse mesmo período, o notificante passou a receber, por meio de suas redes sociais, mensagens de teor ameaçador e intimidatório, com conteúdos como ‘teremos uma surpresa esta semana’, cujos remetentes e eventual conexão com os fatos aqui narrados encontram-se sob apuração”, complementou.