Seção mais importante de detalhamento dos gastos, com dados como CNPJ, motivo dos pagamentos e valores unitários dos itens comprados, está fora do ar há um mês
Recife, 21/04/2026, 19h37
Desde os últimos dias da gestão do ex-prefeito João Campos (PSB), no final de março, a Prefeitura do Recife tem impedido o cidadão de acompanhar o nível mais detalhado da despesa pública por meio do seu Portal da Transparência. O primeiro mês da gestão do prefeito Victor Marques (PCdoB), portanto, tem mantido a Prefeitura distante da obrigatoriedade de garantir o acompanhamento aprofundado dos gastos públicos da capital pernambucana por todos os cidadãos.
O bug na seção “Despesas por Empenho/Credor” – fruto de um equívoco técnico ou de um apagão proposital – não disponibiliza mais ao público o espelho de todos os empenhos emitidos pelo município do Recife, documento que garante o acesso a dados como CNPJ dos credores, data de liquidação, data de pagamento, valores unitários dos itens e outras observações.

A lista de despesas conhecida como “empenho a empenho” e o acesso a cada documento de forma individual – funções essenciais em todos os Portais da Transparência respeitados Brasil afora – garantem aos cidadãos o controle social das despesas públicas numa camada mais específica, permitindo a comparação de valores de produtos, pagamentos de boletins de medição de obras, aluguel de imóveis, além do acesso aos principais credores do município, destino de milhares de milhões de recursos arrecadados dos impostos dos cidadãos. Sem essas informações, os dados disponibilizados impedem um acompanhamento satisfatório.
Ao tentar acessar a lista, que permite a visualização de cada empenho, o site da Prefeitura do Recife apresenta a seguinte frase: “nenhum resultado encontrado”. As informações que seguem disponíveis ao público são referentes apenas a dados gerais, como total de empenhos emitidos, liquidados e pagos e também os dez maiores credores da Prefeitura em período específico.

Para o intervalo entre início de janeiro e o dia 20 de abril deste ano, por exemplo, o Portal informa que foram empenhados R$ 2,85 bilhões, sendo R$ 1,45 bilhão liquidado e R$ 1,33 bilhão pago. Os quatro principais credores no período foram a Caixa Econômica (R$ 93 milhões pagos), o consórcio Recife Ambiental (R$ 75,3 milhões), o Banco do Brasil (R$ 59,4 milhões) e a empresa de locação de mão de obra Adserv Empreendimentos (R$ 42,8 milhões). Fora essas informações, o cidadão não consegue acessar nenhum outro detalhamento, impedindo o controle social de mais de 95% dos empenhos emitidos pela Prefeitura no período. Nem mesmo entender o que motivou o pagamento a esses quatro credores é possível.
O Blog enviou no dia 27 de março uma solicitação de acesso à informação à Controladoria Geral do Município, responsável pelo funcionamento do Portal, mas ainda não foi apresentada resposta. No documento, o titular deste espaço questionou: “por qual motivo a seção despesas por credor empenho de 2026 não está atualizada? Só aparecem 13 empenhos”. Para efeito de comparação, a cada mês, a média de empenhos emitidos por todas as unidades gestoras da Prefeitura do Recife ultrapassa a casa dos dois mil.