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Dois ex-deputados estaduais são alvo de operação que investiga rachadinha na Alepe com prejuízo de R$ 2,7 milhões

Operação Draft da Polícia Civil realizou buscas e apreensões em oito endereços na Região Metropolitana do Recife para desarticular organização criminosa

Recife, 15/04/2026, 14h01

A Polícia Civil de Pernambuco realizou na manhã desta quarta-feira (15) a Operação Draft para identificar e desarticular organização criminosa com prejuízo de R$ 2,74 milhões provenientes de repasses da maior parte dos salários de servidores comissionados de um gabinete parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco (Alepe) no período de 2015 a 2019. O principal alvo seria um ex-deputado estadual com extenso currículo na política pernambucana.

De acordo com Blog de Ricardo Antunes, em informação exclusiva, os ex-deputados seriam Romário Dias e Leonardo Dias.

Foto: Polícia Civil de PE

De acordo com o delegado Juliano Ferronato, da 1a. Delegacia de Combate ao Crime Organizado, ligada à DRACCO, em entrevista coletiva, “o esquema era operado em um gabinete de um deputado estadual específico”, no entanto um dos integrantes do esquema “já havia sido também deputado estadual em momento anterior”. Os dados dos investigados não foram divulgados pela Polícia Civil em respeito às limitações legais, mas a decisão judicial que determinou as oito buscas e apreensões foi deliberada pela Corte Especial do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco (TJPE), confirmando a existência de foro privilegiado.

Num dos domicílios que foi alvo, a Polícia teve dificuldade para adentrar ao imóvel devido à existência de uma porta blindada. Foram apreendidos aparelhos celulares, entre R$ 110 e R$ 120 mil em moeda estrangeira e duas barras de prata que valeriam entre R$ 12 e R$ 23 mil. Ainda segundo o delegado, os salários dos servidores comissionados em questão variavam entre R$ 6 mil e R$ 18 mil. Desse valor, os servidores ficariam com R$ 300 e devolveriam o restante.

Alvos da Operação incluiriam dois ex-deputados estaduais de Pernambuco Foto: Rafael Vieira/DP Foto

A Alepe possui uma das mais altas cotas parlamentares para pagamento de servidores comissionados entre todas as Assembleias do País. Apesar disso, é uma das únicas casas legislativas estaduais que não garante transparência às remunerações pagas aos servidores. São cerca de 1,7 mil servidores ativos que compõem os quadros da Casa, entre eles mais de 1,4 mil comissionados. Nos últimos anos, o número de terceirizados também cresceu significativamente.

Em 2025, a folha de pessoal da Alepe custou R$ 608 milhões, somando R$ 395 milhões de vencimentos, R$ 93 milhões de obrigações patronais, R$ 76,5 milhões de benefícios assistenciais e mais R$ 43,6 milhões de outras indenizações.

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Manoel Medeiros

Jornalista e economista recifense, com trajetória na comunicação e gestão pública.

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